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Que tribo é essa?

Os adolescentes passam por uma fase de transformação, onde buscam ser incluídos em um grupo com o qual se identifiquem. Conheça as tribos mais populares e entenda melhor seu filho.

Em 05/06/2012 Por Tatiana Arcolini

Certo dia, você sai de casa e seu filho está “aparentemente normal”. Quando você volta, um grande susto: ele está com os olhos maquiados, 90% do cabelo cobrindo o rosto e vestido de preto dos pés à cabeça (sem contar as bijuterias grotescas em todos os dedos das mãos!) Com a maior simplicidade do mundo, ele ainda lhe pergunta: “O que foi, manhê?!”

Se, enquanto crianças, acreditamos em tudo aquilo que nos é dito por nossos pais, criadores e professores – uma vez que nosso modelo de mundo é justamente aquele que nos é apresentado –, mais tarde, na adolescência, a coisa muda de figura. Essa é a fase das descobertas e da formação de sua identidade. Assim, os jovens buscam, em cada atitude, encontrar seus próprios valores, questionando e até deixando de lado tudo aquilo que lhe foi apresentado anteriormente.

Para isso, faz parte da juventude unir-se em grupos – seja baseado no gosto musical, na paixão por um esporte ou em outras afinidades culturais.

Enquanto, nas décadas de 1960 e 1970, as tribos urbanas – assim chamadas por serem mais comuns em grandes centros – se reuniam para discutir questões relacionadas à sociedade, economia e política, atualmente, o cenário mudou e, muitas vezes, jovens se agrupam apenas por modismo. “Quem faz parte de uma tribo jamais será um rosto desconhecido na multidão”, explica a psicóloga Olga Tessari, justificando o motivo que leva muitos adolescentes a aderir às tribos. No entanto, a psicóloga defende que existem aqueles que realmente se identificam com a filosofia do grupo, necessitando passar por essa fase para encontrar o caminho que realmente deseja percorrer ao longo da vida.
 
“O jovem enfrenta o dilema de não ser mais criança e tampouco adulto. Nesse trânsito, passa por muitas transformações, sejam elas físicas ou emocionais, além de lutos pelas perdas que sofre. A possibilidade, então, de se engajar em um espaço coletivo em que há outros jovens que sentem coisas semelhantes, que carregam as mesmas angústias que ele, é muito atraente, pois permite sentir-se acolhido e amparado”, defende Élide Camargo Signorelli, psicóloga com formação psicanalítica pelo C.P.CAMP (Centro de Psicanálise de Campinas) e especializada em adolescência pelo Departamento de Psiquiatria da FCM da Unicamp.

Então, que mal tem nisso?

A opinião entre os pais é unânime: não lhes agrada o fato de o filho adolescente pertencer a uma tribo. A questão, porém, vai além do gosto: o que, de fato, existe de ruim em o jovem pertencer a uma tribo? Existe um motivo real para tanta preocupação dos pais?

Em primeiro lugar, de acordo com o psicoterapeuta Antonio Carlos Bento, de São Paulo, é preciso lembrar que a adolescência reflete o relacionamento que o jovem teve com seus pais durante a infância. Segundo ele, cabe aos pais orientar e respeitar o direito de escolha do filho. Sendo assim, o melhor a fazer é conversar sobre os prós e os contras de participar de um determinado grupo e, mesmo não concordando, respeitar a decisão dele. “O diálogo é a forma mais saudável de orientar o adolescente”, diz o especialista.

As tribos de hoje

Estilo de roupa, música, interesses gerais. Esses são os motivos que levam os adolescentes a se unirem em grupos – cada um com seu nome e suas gírias. Conheça, com a ajuda da psicóloga e escritora Olga Tessati, as principais tribos existentes e o que as caracteriza.

Patricinhas e Mauricinhos
Preocupam-se excessivamente com a aparência e gostam de ostentar bens materiais, viagens e influência. Estão sempre antenados com a moda e, em geral, curtem ‘baladas’ de música techno (eletrônica). Usam roupas de grifes, o corpo é malhado em academia, o cabelo é impecável e, no caso das meninas, usam muita maquiagem e salto alto.

Indies
São os chamados alternativos, que curtem músicas que falam sobre os relacionamentos humanos e problemas da sociedade contemporânea. Usam costeletas, franjas, óculos de acetato, peças de roupa xadrezes e jeans skinny.

Clubbers
Idolatram DJs e danceterias, usam roupas coloridas, coturnos, acessórios modernos, penteados excêntricos e, no caso das meninas, esmaltes pretos.

Skaters

O esporte une essa tribo. Usam roupas bastante largas e de cores neutras, bonés, tênis e cinto. Gostam de desenhos e outras expressões artísticas.

Góticos
O mundo das trevas move esses jovens. Curtem músicas melancólicas, poesias com assuntos mórbidos, roupas escuras e maquiagem carregada. Gostam de frequentar cemitérios e de usar correntes com crucifixos.

Grunges
Totalmente despojados, usam bermudões abaixo dos joelhos, camisas de flanela quadriculadas, tênis sujos, barbichas e calças rasgadas, identificando-se com o movimento de música independente surgida no final dos
anos 1980, em Seatle, representado pelas bandas Nirvana e Pearl Jam.

Surfers
Sempre em busca da onda perfeita, vestem bermuda de tactel, óculos escuros, camiseta regata e, eventualmente, cabelos compridos. Gostam de reggae e rap.

Plocs
O maior desejo dessa garotada é ter a infância de volta. Usam acessórios, roupas e brinquedos infantis, idolatram a Hello Kitty, as Meninas Superpoderosas, o Piu Piu...

Jiu-jiteiros
Estão sempre na companhia de um pit bull, curtem caminhonetes e têm as orelhas raladas e deformadas de tanto esfregá-las no tatame durante as lutas. Geralmente, gostam de se envolver em brigas.

Punks
Críticos e contestadores, identificam-se com valores como anarquismo, antimachismo, anti-homofobia, antinazismo, amor livre, antilideranças, liberdade individual, autodidatismo e cosmopolismo. Sempre de coturnos e jaquetas de couro, usam os cabelos arrepiados e piercings.

Skinheads
São idealistas e extremamente racistas, não tolerando homossexuais e negros. Têm a cabeça raspada, usam coturnos, jeans e roupas militares.

Roqueiros
Só ouvem rock e hard rock, se maquiam para sair de casa, gostam de cinema e usam calça jeans justa, camiseta de bandas, tênis de cano alto e jaqueta.

Esportistas
Curtem MPB, reggae e rock, usam bermudas, tênis e camiseta e gostam mesmo é de se exercitar. Não vão a baladas e gostam de ler.

Hip hop
Lêem sobre sociologia e história, gostam de cinema e se vestem de maneira bem moderna, normalmente, com botas. Os ídolos, em sua maioria, são negros.

Um capítulo à parte

Você certamente já se deparou com uma pessoa vestindo calças supercoloridas, cabelos lisos com enorme franja lateral, lápis preto nos olhos, unhas pintadas, bonés e mochila. Possivelmente, ele estava ao lado de outra pessoa igual – ou bem parecida –, trocando elogios, se abraçando e trocando carinhos em público. Fátima da Costa, de 43 anos, presencia esta cena diversas vezes. “Não foi fácil entender o que estava acontecendo com meu filho Thiago (15 anos). Mas, hoje, respeito sua decisão e torço para que ele seja muito feliz.”

A descrição caracteriza os Emos, uma tribo urbana de jovens sentimentalistas ao extremo, que curtem o chamado emocore (vertente do punk que mescla som pesado com letras românticas), choram com facilidade e são totalmente contra qualquer forma de violência e preconceito, praticando a tolerância sexual. “Para muitas pessoas, ser emo é sinônimo de homossexual”, explica o psicoterapeuta Antonio Carlos Bento. No entanto, apesar do visual e do comportamento peculiar, os emos são apena s uma tribo urbana que expressa seu jeito de ser. Aos pais de emos, saibam que eles sofrem muito preconceito, principalmente das outras tribos. Assim, é preciso monitorar e orientar, sempre, com bastante diálogo e carinho.

Foto: Divulgação

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